sexta-feira, 15 de abril de 2011

Os caciques nacionais

Inicialmente, gostaria de me desculpar pela minha baixa frequência de postagens. Esta se deu devido à semana de provas, que requereu bastante a minha atenção e dedicação. Agora, enfim, podemos ir ao que interessa de fato.

Em outubro do ano passado, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, deu sinais de que poderia deixar o seu até então partido, o DEM.
 No mês seguinte, as expectativas foram confirmadas, e o prefeito anunciou sua decisão de deixar a sigla até janeiro de 2011. Abertamente, os motivos que motivaram sua saída foram a incompatibilidade de ideais e, segundo o próprio, a falência do partido, que diante de inúmeras crises e conflitos de interesses se encontrava profundamente instável e frágil no cenário político. Porém, como deveria ser de senso comum, (quase) tudo na política se lê nas entrelinhas, e são as verdadeiras razões que incitam uma reflexão.

Kassab se encontra no segundo mandato consecutivo na prefeitura, o que significa a impossibilidade para o candidato de se reeleger em 2012. Assim sendo, seu foco passou a ser o governo do Estado de São Paulo em 2014, fazendo frente ao PSDB que, se tudo correr dentro dos conformes, lançará Geraldo Alckmin para dar continuidade à sua atual gestão. Porém, o DEM apoia o PSDB, e por consequência o atual governador, o que dificultaria a concretização de seu objetivo.

Outro fator determinante foi o choque entre Gilberto e líderes hierárquicos do partido, como ACM Neto (BA) e Rodrigo Maia (RJ), presidente da sigla. Um exemplo desse conflito se deu na tentativa de Kassab de tirar o filho de César Maia da presidência, de forma que pudesse implementar e consumar seus interesses e metas pessoais. Assim, houve um racha cada vez mais evidente no partido, entre aqueles que apoiavam a mudança no comando - como Índio da Costa (RJ), Kátia Abreu (TO) Afif Domingos (SP) e Kassab - e aqueles que declinavam a ideia - entre eles ACM Neto, Maia e Carlo Caiado (GO) -, acusando ainda o prefeito de SP de ansiar o comando a fim de cedê-lo para uma fusão com o PMDB em troca de favores políticos.

Muito se especulou a respeito de seu destino: alguns diziam que ele iria para o PMDB e outros que costuraria internamente sua expulsão do Democratas. Independente da decisão, Kassab tinha um obstáculo à sua frente: a questão da fidelidade partidária. Para o Direito Eleitoral, este termo designa que, se no Brasil todos os candidatos a cargos eletivos precisam de partidos políticos para se eleger, eles não podem se desvincular do partido para o qual foram eleitos, sob pena de perderem o mandato. O que fazer? Utilizar uma brecha legal que possibilitasse entrelaçar todos os seus interesses pessoais, é claro!

Já que a criação de um novo partido não é caracterizado como infidelidade partidária, nasce então, em meio à essa turbulenta fase da oposição, o Partido Social Democrático (PSD).

                                                                              Foto: Ailton de Freitas

Sua vertente ninguém sabe, muito menos sua ideologia. Como primeiro discurso sobre a nova sigla, Kassab - agora poderoso co-fundador - manifestou seu apoio tanto ao governo Dilma em nível nacional quanto ao governo Alckmin - que pretende, futuramente, tirar do poder - na esfera estadual.
É um agregado de políticos subjugados em seus partidos, que se amontoam em busca de uma oportunidade para crescer. Um partido adesista, que apoiará sem restrições os detentores do poder de forma que possam sobressair no meio. Lobos em pele de cordeiros.

Algumas pessoas me perguntam o porquê do blog se chamar "espelhos inquebráveis". agora vos respondo:
O nome é em "homenagem" à todos os políticos, como Gilberto Kassab, que utilizam a política como forma de estepe pessoal, onde não há nenhum interesse em cuidar da camada social, nenhum compromisso com o trabalho ético-profissional, nenhum respeito à nós, que os botamos no poder com o intuito de zelar pela melhoria de nossa condição de vida em tantos aspectos. Tudo o que fazem é em prol de si mesmos, por uma auto-promoção, maior detenção de poder, etc etc etc.
Nós pagamos e alimentamos a vaidade de cada um deles... Pensem nisso.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Abrindo as portas

Bolsonaro.
Só citar seu nome já causa um arrepio em muitas pessoas, e nada mais oportuno para abrir este blog que esse assunto que vem tomando conta das mídias e da boca do povo.
Jair Messias Bolsonaro nasceu em 1955 e logo se dedicou a vida militar. Cursou diversas Academias, tendo em uma delas -  a Brigada de Infantaria Pára-Quedista - se especializado no paraquedismo.
Em 1988 decidiu investir na carreira política. Já como Capitão do Exército Brasileiro, Jair elegeu-se vereador da cidade do Rio de Janeiro pelo PDC. Dois anos depois tornou-se deputado federal. Como um bom nômade político -  que adere à sigla que garante mais privilégios e oportunidades -, já esteve em diversos partidos: PFL, atual Democratas; PPR; PTB e atualmente no PP. Vale citar que todos os partidos citados são de uma mesma vertente: a da Direita, conhecida por designar indivíduos e grupos relacionados a partidos políticos ou ideais considerados conservadores.
Em entrevista à revista IstoÉ Gente (14/02/2000), quando perguntando sobre sua religião, ele afirma: "Eu acredito em Deus. Sou católico. Mas é coisa rara ir à Igreja. Eu já li a Bíblia inteirinha, com atenção. Levei uns sete anos para ler. Você tem bons exemplos ali."

Esta breve introdução de sua pessoa física é importante para entendermos e analisarmos seu comportamento diante do escândalo proveniente de suas declarações no programa semanal CQC, exibido pela rede Bandeirantes. Não me prolongarei no episódio em si - pois acredito ser de conhecimento comum - e sim nas implicações de suas afirmações.
Quanto ao racismo cristalizado por ele, não vejo muita discussão. É uma atitude abominável, com toda a força que esta palavra traz consigo. Mas nosso deputado percebeu seu deslize, e rapidamente, em entrevista ao Estado de São Paulo (29/03/2011), no dia seguinte à matéria exibida, disse: "Foi um mal entendido, eu errei. Como veio uma sucessão de perguntas eu não ouvi que era aquela pergunta, foi um equívoco. Eu entendi que a pergunta era se meu filho tivesse um relacionamento com gay, por isso respondi daquela forma."
É exatamente à partir desta informação que pretendo iniciar meu raciocínio. Bolsonaro afirmou ter se confundido por dois motivos: 1 - o racismo é crime no Brasil e a homofobia, não. 
2 - A luta contra a homofobia ainda não é clara nem amplamente divulgada e abraçada como a contra o racismo. 
Isso lhe permitiu uma saída pela tangente, legal e socialmente falando, de forma que não poderia ser processado pelo crime de racismo e o choque da sociedade seria menor. 
Este reduzido impacto na sociedade com relação aos homossexuais se dá pelo fato de Jair Bolsonaro representar um grande número de pessoas com a mesma opinião, que segrega e desrespeita aqueles que não compartilham de sua orientação sexual.
Uma das razões desse apoio se dá com base em sua religião, a católica. Na Bíblia, há passagens como: "Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro" (Romanos 1:26-27) e "Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas . . . herdarão o reino de Deus" (1 Coríntios 6:9-10).


Essas afirmações servem como base para justificar e legitimar suas opiniões. Porém, onde é a barreira entre o convívio social harmônico e a vertente religiosa do indivíduo? A resposta para essa pergunta é dada exatamente pela religião católica pois uma frase, conhecida e disseminada como um 11º Mandamento, diz: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", o que resumiria toda a doutrina de Jesus.


Não falo da religião por ser seguidor, e sim porque é uma arma a ser usada contra o mesmo, que diz se basear na ideologia do catolicismo como preceitos para ir de encontro a comunidade LGBT. Parece que o Deputado Jair Bolsonaro, que afirmou ter lido a Bíblia "inteirinha", acabou pulando algumas páginas...







segunda-feira, 4 de abril de 2011

Criação do blog e processo criativo

Bom, primeiramente peço licença para me dirigir diretamente ao leitor.
Meu nome é Pedro Diverio, e sou um profundo entusiasta de política. Isso, porém, não denota meu entusiasmo com a brasileira (esta sendo discutida posteriormente).

Apesar de pouco experiente, utilizarei este blog como uma ferramenta de reflexão interna e de desabafo pessoal, no qual me estenderei sobre questões sociais concernentes ao meio político. Qual a barreira entre a pessoa física e jurídica? Haveria um jeito único e restrito de se portar, ou há de se agir conforme a reação popular? Quais as dificuldades de um cidadão honesto para entrar e elevar-se politicamente? Essas e outras perguntas tentarão ser respondidas por meio de notícias atuais, procurando encaixá-las ao meu modo de ver e pensar o mundo.

Sobre as críticas, gostaria de deixar clara minha satisfação em recebê-las: opiniões divergentes às minhas, ideias, análises... enfim, sintam-se à vontade. Espero aprender muito com este portal, e de certa forma ajudar amigos e conhecidos que não se interessam por esse assunto a entenderem que, por mais desacreditados que possam estar, nunca devem se esquecer de que a política é a engrenagem principal que mantém o aparelho burocrático estatal funcionando.