Inicialmente, gostaria de me desculpar pela minha baixa frequência de postagens. Esta se deu devido à semana de provas, que requereu bastante a minha atenção e dedicação. Agora, enfim, podemos ir ao que interessa de fato.
Em outubro do ano passado, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, deu sinais de que poderia deixar o seu até então partido, o DEM.
No mês seguinte, as expectativas foram confirmadas, e o prefeito anunciou sua decisão de deixar a sigla até janeiro de 2011. Abertamente, os motivos que motivaram sua saída foram a incompatibilidade de ideais e, segundo o próprio, a falência do partido, que diante de inúmeras crises e conflitos de interesses se encontrava profundamente instável e frágil no cenário político. Porém, como deveria ser de senso comum, (quase) tudo na política se lê nas entrelinhas, e são as verdadeiras razões que incitam uma reflexão.
Kassab se encontra no segundo mandato consecutivo na prefeitura, o que significa a impossibilidade para o candidato de se reeleger em 2012. Assim sendo, seu foco passou a ser o governo do Estado de São Paulo em 2014, fazendo frente ao PSDB que, se tudo correr dentro dos conformes, lançará Geraldo Alckmin para dar continuidade à sua atual gestão. Porém, o DEM apoia o PSDB, e por consequência o atual governador, o que dificultaria a concretização de seu objetivo.
Outro fator determinante foi o choque entre Gilberto e líderes hierárquicos do partido, como ACM Neto (BA) e Rodrigo Maia (RJ), presidente da sigla. Um exemplo desse conflito se deu na tentativa de Kassab de tirar o filho de César Maia da presidência, de forma que pudesse implementar e consumar seus interesses e metas pessoais. Assim, houve um racha cada vez mais evidente no partido, entre aqueles que apoiavam a mudança no comando - como Índio da Costa (RJ), Kátia Abreu (TO) Afif Domingos (SP) e Kassab - e aqueles que declinavam a ideia - entre eles ACM Neto, Maia e Carlo Caiado (GO) -, acusando ainda o prefeito de SP de ansiar o comando a fim de cedê-lo para uma fusão com o PMDB em troca de favores políticos.
Muito se especulou a respeito de seu destino: alguns diziam que ele iria para o PMDB e outros que costuraria internamente sua expulsão do Democratas. Independente da decisão, Kassab tinha um obstáculo à sua frente: a questão da fidelidade partidária. Para o Direito Eleitoral, este termo designa que, se no Brasil todos os candidatos a cargos eletivos precisam de partidos políticos para se eleger, eles não podem se desvincular do partido para o qual foram eleitos, sob pena de perderem o mandato. O que fazer? Utilizar uma brecha legal que possibilitasse entrelaçar todos os seus interesses pessoais, é claro!
Já que a criação de um novo partido não é caracterizado como infidelidade partidária, nasce então, em meio à essa turbulenta fase da oposição, o Partido Social Democrático (PSD).
Foto: Ailton de Freitas
Sua vertente ninguém sabe, muito menos sua ideologia. Como primeiro discurso sobre a nova sigla, Kassab - agora poderoso co-fundador - manifestou seu apoio tanto ao governo Dilma em nível nacional quanto ao governo Alckmin - que pretende, futuramente, tirar do poder - na esfera estadual.
É um agregado de políticos subjugados em seus partidos, que se amontoam em busca de uma oportunidade para crescer. Um partido adesista, que apoiará sem restrições os detentores do poder de forma que possam sobressair no meio. Lobos em pele de cordeiros.
Algumas pessoas me perguntam o porquê do blog se chamar "espelhos inquebráveis". agora vos respondo:
O nome é em "homenagem" à todos os políticos, como Gilberto Kassab, que utilizam a política como forma de estepe pessoal, onde não há nenhum interesse em cuidar da camada social, nenhum compromisso com o trabalho ético-profissional, nenhum respeito à nós, que os botamos no poder com o intuito de zelar pela melhoria de nossa condição de vida em tantos aspectos. Tudo o que fazem é em prol de si mesmos, por uma auto-promoção, maior detenção de poder, etc etc etc.
Nós pagamos e alimentamos a vaidade de cada um deles... Pensem nisso.

Olá Pedro Divério!
ResponderExcluirVejo nascer um comentarista com viez político. Seu trabalho continua bem fundamentado e não vai ser a periodicidade de suas publicações que poderá prejudicar na formação do jovem crítico na abordagem das mazelas dos nossos políticos,
Mais importante é a qualidade da crônica do que a quantidade. Qualquer cronista, quer seja aqueles já consagrados ou os que estão começando, como no seu caso,que por algum momento assola a falta de assunto ou como escrever.
Continue assim, convicto de seus pontos de vista, mesmo que ninguém concorde, pois terão que respeitar a sinceridade e honestidade de seus pensamentos
Diverio, bem maneiro seu blog, parabéns! Ainda mais o assunto sendo política, que eu curto muito. Eu até escrevia em um blog também, qualquer coisa dá uma olhada (http://blogprivatizado.blogspot.com/).
ResponderExcluirAbcs!
Olá, Pedro,
ResponderExcluirEm primeiro lugar, gostei muito do seu trabalho. Pretendo virar freguês, assim como já sou do blog do Leo (pausa para o jabá da família: http://technoob.zip.net/).
Quero comentar sobre o Bolsonaro do seu post anterior.
Pode parecer estranho, mas até que o Bolsonaro pode ser útil.
Basta pensar nele como o seu anti-guru.
Explicando:
Existia um político das antigas, chamado Amaral Neto, já falecido. Ele pertenceu ao Partido que apoiava os militares (eram os Anos 70), foi Deputado Federal pelo RJ por vários mandatos e era conhecido por suas idéias retrógradas.
Mesmo com esta ficha, para mim, ele foi útil.
Sempre que eu precisava ter uma posição sobre algum assunto, mas ainda não tinha informação suficiente para formar minha opinião, eu pensava:
- O que o Amaral Neto acha disto?
Era só descobrir e pronto: escolher exatamente o contrário.
Se ele achava que algo era bom, eu tinha certeza que era para eu achar ruim.
Amaral Neto foi o meu anti-guru.
O mesmo é o Bolsonaro.
Se ele simpatizar com alguma idéia, pronto, nem precisa pensar muito: tenha certeza de que para vc se opor.
Abs